•  

     

    Tecnologia não é pedagogia

    Os avanços tecnológicos são apenas mecanismos de transmissão

  •  

       

    Viva a APOS!

    36 anos em defesa do magistério e da educação.

  •  

     

    Ano letivo recupera-se, vidas não!

  •  

     

    A invisibilidade do Magistério brasileiro no delicado processo de retorno às aulas presenciais durante a pandemia

  •  

     

    A vida e a obra de Paulo Freire

  •  

     

    Escolas temem que adultos abandonem
    estudos após pandemia do coronavírus

  •  

     

     

    Educação melhor para todos

  •  

     

     

    Invista no futuro da educação

Category: Artigos

Tecnologia não é pedagogia

Os avanços tecnológicos são apenas mecanismos de transmissão

Por Claudio Moura Castro

Com grandes dificuldades, Guglielmo Marconi tentava vender aos navios o seu
telégrafo sem fio. Mas eis que, em 1912, um iceberg entrou na rota do Titanic. Graças
ao telégrafo embarcado, um cargueiro nas proximidades captou o SOS e resgatou 700
passageiros. No fim das contas, o iceberg vendeu mais equipamentos do que
conseguiria algum mago de marketing.
Apesar dos loquazes arautos de tecnologias redentoras, a escola sempre deu as costas a
elas. O cinema vai revolucionar a escola! Com o rádio a escola chega a qualquer
grotão! Com a TV a escola não será a mesma! Entram em cena os computadores na
educação, e lá se vão cinquenta anos de tentativas. Agora é a nuvem. O que têm em
comum esses inventos revolucionários é o seu fracasso retumbante no ensino
acadêmico. Nada deu certo. Ou foi ignorado ou não mostrou resultados (como é o caso
do computador na aula).

Como qualquer organização, a escola tem sua cultura, suas práticas consagradas e,
igualmente, ferozes mecanismos para defendê-las. Não é um reles computador que
mudará seus hábitos seculares. Com um peteleco, a tralha vai para o armário e nunca
mais é vista. Ou enguiça e ninguém conserta.
Não prestam essas inovações? Prova de seu valor é a sua adoção nos cursos
profissionais, naqueles oferecidos nos programas de educação corporativa e em tudo
que não é o ensino acadêmico. Bravamente, a escola resistia.

A Covid-19 foi o iceberg que se chocou com essas escolas. O serviço foi feito por um
bicho desse tamanhinho. Depois de rejeitar, negacear e empacar, da noite para o dia as
instituições de ensino foram obrigadas a se bandear para a educação a distância, cuja
íntima convivência com a tecnologia vinha de bom tempo.
Quem se persignou, vendo na tecnologia coisa do diabo, de uma hora para outra passou
a pilotar computadores, PowerPoints, Zoom, Blackboard, chats e tudo o mais que há
por aí. Bem feito, pois a tecnologia tem muito a oferecer (tudo que foi citado acima
pode ter o seu lugar).
No entanto, é preciso não cometer um outro pecado. Tecnologia não é pedagogia. É
apenas uma mecânica de transmitir conteúdos. Não é a pizza, mas apenas o seu
entregador.

O YouTube congela e conserva imagens digitais. Serve para tudo, até para ensinar,
desde tabuada até medicina genômica. Pode propor a decoreba. Mas, no “ensino
invertido”, permite implementar uma pedagogia eficaz. Nela, o aluno vê o vídeo e
depois discute na aula. O YouTube é apenas o meio de transporte.

Confundir o entregador com a pizza é achar que, introduzindo tecnologia, tudo estará
resolvido. Não estará. O mais reluzente tablet pode estar a serviço de decorar as
capitais da Ásia Central. Mas dá certo quando é o canal para estratégias de ensinar
conteúdos de forma criativa. Devemos também entender: tecnologia não é agente de
mudança. E tecnologia comprada não vem com as ideias necessárias para o seu bom
uso.
Primeira lição: lamentamos, mas há mudanças que requerem uma tragédia para sera
implementadas. Segunda: tecnologia na educação é apenas meio de transporte, nem
redentora nem portadora de uma boa pedagogia.

Fonte:https://veja.abril.com.br/blog/claudio-moura-castro/tecnologia-nao-e-pedagogia/

Ano letivo recupera-se, vidas não!

A volta às aulas no país, tornou-se na última semana uma discussão não apenas científica, mas ganhou corpo e se estendeu as redes socias e nas conversas de professores, pais, alunos e população no geral. A preocupação com o tema gerou discussões acaloradas e a ciência tentou explicar de forma detalhada e didática o que enfrentaríamos com a volta às aulas de forma precoce em um país que apresenta os seguintes dados:

• Aproximadamente 84 mil mortes pela covid-19 no Brasil;
• Dois milhões e 300 mil infectados;
• 60 mil contágios confirmados em um único dia;
• 1311 mortes nas últimas 24 horas;
• Em São Paulo quase 21 mil mortos, nas últimas 24 horas 362 óbitos;
• Em Osasco, 588 mortes, aproximadamente 10 mil casos e 5 óbitos nas últimas 24 horas. ( Fonte: Boletim Coronavírus de 22/07/2020)
• Segundo país com o maior número de mortos no mundo, ficando atrás apenas dos EUA.
(Dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) em 23/07/2020)

Os dados acima refletem números de guerra, contra um vírus destruidor que está dizimando milhares de pessoas em nosso país, pessoas essas com rostos, família, profissão e toda uma história atrás do número que os representam. Parece, que tais dados não impressionam governantes de Estados e Municípios, o poder Executivo, juntamente com seus secretários de educação insistem em dizer que o momento é seguro para as aulas retornarem ao seu normal, aulas presenciais e seguindo supostos protocolos de segurança.

Em pesquisa divulgada, ontem, 23 de julho, a FIOCRUZ estima que o retorno às aulas pode causar mais 9,3 milhões de contaminações, mesmo seguindo as supostas normas de segurança, número esse que representa 4,4% da população total do país, sendo eles: alunos, professores, gestores, funcionários e familiares.

A pesquisa, liderada pela FIOCRUZ, analisou dados da PNS(Pesquisa Nacional de Saúde) 2013 e cita que no Estado de São Paulo o número de contaminados pode chegar a incríveis 2,1 milhões da população, a pesquisa aponta como um ABSURDO o retorno às aulas em um momento que o número de mortes e contaminados bate recordes simultâneos.

Ao analisarmos friamente as propostas dos nobres governantes, verificamos que muitas decisões estão ancoradas em pressões dos empresários das escolas particulares, pressão dos negacionistas de plantão que acreditam que a pandemia está controlada ou que a mesma não existe, ou, simplesmente, porque almejam a reeleição na próxima votação.

Todos os conhecedores da dura realidade da escola pública sabem que falta papel higiênico, detergente, água nas torneiras e produtos básicos de limpeza e tem a noção que tais protocolos de segurança só existem no papel ou na cabeça de quem nunca viveu a realidade da escola pública, acreditamos que tais propostas foram elaboradas por pessoas que nunca pisaram em uma creche, não conhecem os números de alunos por sala na educação infantil e ensino fundamental e nunca pararam para analisar a precariedade de salas e escolas em nosso município.

A ciência e os pesquisadores são categóricos em afirmar que o risco em voltar às aulas é imenso e nosso sistema de saúde não estará preparado para suportar a quantidade de novos casos e afirmam que nesse momento a única saída é a suspensão total das aulas, pelo menos até termos uma vacina eficiente contra o vírus. Na França e na Coréia do Sul, a retomada foi considerada equivocada por cientistas e especialistas em educação, em poucas semanas as aulas foram suspensas novamente pelo alto índice de novas contaminações.

Em nosso país, a ciência está sendo deixada de lado e as decisões estão sendo meramente políticas, fato que colocará em riscos à saúde de milhões de brasileiros, precisamos nos unir e dizer NÃO a mais essa barbaridade.

A APOS já deixou claro sua posição, NÃO ACEITAREMOS VOLTAR ÀS AULAS NA SITUAÇÃO ATUAL, iremos defender a saúde e a vida de todos os alunos, professores e profissionais da educação.

Cobramos do prefeito de Osasco e do Secretário de Educação uma postura firme que preserve vidas e que prevaleça a ciência e suas indicações para evitar mais essa tragédia anunciada.
Faça parte da nossa luta, compartilhe os informativos e se una nessa grande batalha que é de todos nós.

A invisibilidade do Magistério brasileiro no delicado processo de retorno às aulas presenciais durante a pandemia

Texto de: Márcia Friggi

Seguidamente ouvimos debates acerca do retorno às aulas, no Brasil, durante a pandemia. Sobre o assunto, falam os infectologistas, falam os médicos, falam as mães, falam secretários da educação, falam os prefeitos, vereadores. Ministro da educação não fala porque não temos, ou temos? Falam os alunos, falam os repórteres, falam os programas de TV, só os professores não falam. Pior, sequer são mencionados nesse processo como se não fizessem parte dele.

Hoje, cruzei pela televisão no horário do programa “Encontro”, sentei para ver a simulação de um ambiente de sala de aula em que uma tinta foi usada para representar o novo coronavírus, detalhe, nessa simulação só havia duas pessoas na sala. Em pouco tempo mesas e vários objetos ficaram tomados pela tinta fluorescente que representava o vírus. Em seguida uma especialista foi entrevistada, não prestei atenção no seu nome ou especialidade. Ela falou sobre esse processo de volta às aulas presenciais. Mencionou a importância do retorno escalonado para que as salas não fiquem lotadas. Minimizou o perigo desse regresso ao dizer que as crianças, na maioria, não são infectadas e, quando são, apresentam apenas sintomas leves. Citou também a importância da escola para as crianças, mas não falou dos professores, nunca, uma única vez.

Por puro vício de linguista que adora Análise do Discurso, fiquei contando nos dedos as vezes em que ela pronunciava a palavra “crianças”, perdi a conta, foram muitas, ao mesmo tempo em que esperava ansiosamente a inclusão da palavra “professores”, não houve. A eterna invisibilidade do magistério brasileiro gritava no discurso dessa senhora e me embrulhou o estômago. Estava ali, naquela fala, vergonhosamente escancarado o desrespeito pelos professores e a visão que a nossa sociedade possui da “escola”. Quando uma categoria tão fundamental nesse processo, sequer é mencionada, é porque não existe para esse sujeito do discurso. Excluídos os professores desse processo, a escola é reduzida a espaço de socialização, depósito de crianças para que os pais trabalhem, tulha para que os adolescentes não fiquem ociosos. A escola passa a ser tudo, menos espaço para a construção do conhecimento.

A omissão da palavra “professores” quando se referem a esse retorno é também um desrespeito pelas nossas vidas, como se a nossa vida, a nossa saúde não fosse importante. Penso no quadro docente da minha escola e, através dele, traço um parâmetro. Poucos não estão no grupo de risco. A maioria possui comorbidades. Entre os jovens e saudáveis, estão as grávidas. Isso sem considerar a carga de trabalho desses profissionais, muitos trabalham em mais de uma escola. Em escolas de cidades diferentes e precisam de transporte público.

Fico pensando no nosso esforço, na nossa luta para manter a qualidade do ensino neste ano letivo atípico. Fomos pegos de surpresa, como todos. A maioria de nós nunca estudou para dar aulas à distância. Aprendemos na marra, no susto. Nossa casa se transformou em estúdio. Nosso celular em instrumento de trabalho e voz para dez turmas, cerca de quatrocentos alunos e mais seus pais (no meu caso). Em tempos de aulas presenciais, meu celular estava sempre no silencioso para não perturbar, agora também porque muitos alunos e pais não respeitam dia nem horário. Trabalhamos em duas plataformas e quatro frentes: Classroom, WhatsApp, diário online e material impresso. Todo dia chega uma nova exigência, a mais nova é postar o plano de aula na íntegra, também no diário online. Quando falam em retorno, falam em retorno escalonado para os alunos. E o retorno dos professores também será escalonado? Ou teremos de assumir tudo, aulas presenciais e à distância? É sobre isso que nossos sindicatos precisam ficar atentos.

Não há como dar conta de aulas presenciais e à distância ao mesmo tempo, se for assim, os que não morrerem de Covid19, vão morrer de exaustão. Ainda tem as lives, quase todo dia, para que os professores escutem, escutem, escutem. Quando nos será concedido o lugar de fala nisso tudo? O magistério é silenciado na educação brasileira desde o Brasil colônia, todas as decisões vêm de cima, de especialistas que já não estão no chão da sala de aula há tempos. Mais que ouvir, necessitamos também falar e, acima de tudo, precisamos ser ouvidos!

Privacy Settings
We use cookies to enhance your experience while using our website. If you are using our Services via a browser you can restrict, block or remove cookies through your web browser settings. We also use content and scripts from third parties that may use tracking technologies. You can selectively provide your consent below to allow such third party embeds. For complete information about the cookies we use, data we collect and how we process them, please check our Privacy Policy
Youtube
Consent to display content from Youtube
Vimeo
Consent to display content from Vimeo
Google Maps
Consent to display content from Google